Testes de Avaliação – possíveis adaptações/acomodações realizadas aos testes

 

O decreto-lei 54/2018, atualmente em vigor, permite que qualquer aluno, em determinada altura do seu percurso académico, usufrua de medidas especificas, designadas por medidas universais, isto é de acomodações curriculares (artigo 8º, alínea b).

A alínea mencionada, permite entre outras opções, fazer adaptações ao nível dos instrumentos e dos momentos de avaliação.

Abaixo pode encontrar algumas das acomodações que podem ser utilizadas pelos professores.

No que respeita às medidas ao nível das acomodações curriculares, de um modo geral, as mesmas podem ocorrer ao nível do aspeto gráfico do teste, da estrutura dos enunciados/exercícios, da sua aplicação propriamente dita (no decorrer do teste) e dos critérios de correção.

 

No que respeita o aspeto gráfico, podem ocorrer, entre outras, as seguintes acomodações:

– imprimir os textos em folha à parte e sem questões impressas no verso;

– alterar o tipo de letra;

– alterar o tamanho da letra;

– aumentar o espaçamento entre os enunciados;

– evitar estímulos distráteis na folha de prova;

– reduzir o número de perguntas por página;

– destacar as palavras-chave da instrução, colocando-as a negrito ou sublinhando-as, por exemplo;

 

Em relação à estrutura dos enunciados/exercícios, podem, entre outras, ocorrer as seguintes acomodações:

– utilizar linguagem direta e objetiva nas perguntas e enunciados;

– fazer perguntas curtas;

– fazer perguntas predominantemente fechadas;

– eliminar perguntas encadeadas, cuja resposta depende de uma anterior;

– eliminar perguntas com muita informação contextual;

– repartir enunciados com muita informação em diferentes etapas/alíneas;

– evitar, nas perguntas de escolha múltipla, que a diferença entre as várias opções seja subtil ou apenas com “pequenas nuances”;

– colocar ao lado da instrução, exemplos de como se realizam os exercícios solicitados;

 

Relativamente ao decorrer do teste e ao modo de aplicação, podem, entre outras, ocorrer as seguintes acomodações:

– beneficiar de leitura do teste;

– ajustar o tempo de realização do teste;

– subdividir a prova;

– confirmar, ao longo do teste, se o aluno está a compreender os enunciados, fornecendo algumas ajudas e orientações, ao longo da realização, garantido que a elaboração da resposta não está a ser afetada pela compreensão do que lhe é pedido;

– certificar-se, no decorrer do teste, que o aluno está a ler as perguntas de forma correta e na sua totalidade;

– disponibilizar, sempre que possível,  juntamente com o teste, um glossário de conceitos ou definições importantes para a realização do mesmo.

 

No que se refere a acomodações nos critérios de correção, entre outras, podem ser as seguintes:

– despenalizar os erros ortográficos;

– valorizar o conteúdo das respostas em detrimento da forma;

– contabilizar, na resolução de problemas, não só o resultado final mas também o raciocínio efetuado;

 

Posto isto, importa salientar que a aplicação destas medidas simples poderá fazer muita diferença na vida escolar do aluno que beneficia das mesmas e ter não só um impacto significativo nos seus resultados escolares, mas também no seu autoconceito  académico, influenciando positivamente o seu sucesso escolar.

Destacamos ainda que a aplicação deste tipo de acomodações depende do perfil de aprendizagem do aluno e suas necessidades específicas, sendo a escolha das medidas feita de forma personalizada e com o intuito de corresponder às suas características. Por fim, é fundamental que o professor/a e/ou a equipa multidisciplinar responsável pelo processo de ensino-aprendizagem do aluno, vá avaliando o mesmo, no sentido de ir averiguando a necessidade de ajustar as medidas implementadas e a eventual necessidade de recorrer a outras.

 

Artigo publicado pelo Sei – Centro de Desenvolvimento e Aprendizagem