Como ajudar o seu filho a criar bons hábitos neste ano letivo?

O final das férias vem sempre associado a toda aquela azáfama inerente ao regresso às rotinas do quotidiano: há que organizar o material escolar, conjugar os horários letivos com as atividades extracurriculares, conciliar os horários dos pais com os dos filhos, adotar rotinas para a hora de deitar e acordar, preparar lanches e marmitas, entre muitas outras atividades. Nesta altura do ano, com o início das aulas mesmo à porta, a palavra-chave é o planeamento.

Relembramos-lhe alguns cuidados básicos primários que deverá tentar integrar no quotidiano do seu filho, de modo a acautelar da melhor maneira um dia a dia mais saudável e harmonioso, não só para ele mas para toda a família.

Horas de Sono

O sono é um fator absolutamente essencial para o saudável funcionamento e equilíbrio geral do nosso organismo. No entanto, a hora de deitar e a duração do sono são muitas vezes menosprezadas, devido às inúmeras atividades que fazem parte das nossas vidas agitadas: o excesso de trabalho dos pais, as várias atividades extracurriculares das crianças, a tendência para ver televisão e/ou jogar jogos virtuais de forma desregrada, entre outros exemplos. A intensidade do quotidiano das famílias acaba por levar as crianças e jovens a ir dormir cada vez mais tarde, acabando isso por lhes retirar o descanso necessário. Embora as horas de sono variem consoante a idade das crianças e as necessidades/especificidades de cada caso, salvaguardar a higiene do sono e promover o ajustamento da criança ao ritmo escolar, são fundamentais para o bom desempenho cognitivo e comportamental da criança. Boas rotinas de sono favorecem os processos de atenção, de concentração, de memorização e, em última análise, do rendimento escolar. A qualidade nos padrões de sono apresenta-se assim como um fator importante ao nível do bem-estar de crianças e jovens e do desenvolvimento das aprendizagens escolares.

Hábitos de Estudo

Também neste caso, a agitação diária inerente aos períodos escolares torna emergente a necessidade de implementar bons hábitos de estudo para assegurar o sucesso educativo de crianças e jovens. Neste sentido, no início de cada ano escolar, pais e filhos deverão planear da melhor maneira todas as atividades. Para tal, um calendário e uma agenda são essenciais para esta atividade familiar: no calendário, as crianças deverão marcar todas as horas curriculares, todas as horas destinadas a atividades extracurriculares e todos os tempos livres. Deste modo, é possível, de acordo com a idade da criança ou jovem, estipular-se um período especifico do dia destinado à realização de trabalhos escolares e/ou para o estudo. Com a progressão do ano escolar surgem as datas dos testes/avaliações que também deverão ser marcadas, tanto no calendário como na agenda, assim como os três dias anteriores destinados ao estudo mais específico para o teste (este período pode variar consoante o ano de escolaridade em que a criança ou o jovem se encontra). Para que esta atividade se torne mais apelativa no caso de crianças mais pequenas, a “construção do calendário” pode ser enriquecida com várias cores, desenhos ou autocolantes de acordo com a atividade. Esta estratégia de planificação e visualização das atividades permite à criança ou jovem uma maior perceção e organização temporal. O facto de ser realizada em família tende a conferir-lhe uma perceção de apoio social, ou seja, a criança sente que a família nuclear está empenhada nas suas atividades e que estas, para além de serem importantes para ela, são igualmente importantes para a família. Outra das vantagens da implementação de hábitos de estudo é a eficácia ao nível da consolidação das aprendizagens e a diminuição de ansiedade em momentos de avaliação.

Hábitos de Leitura

Os hábitos de leitura são estratégias de promoção cognitiva por excelência, pelo que a sua implementação deverá ocorrer o mais cedo possível na vida da criança. Numa fase inicial, deve-se começar por incutir na criança o gosto pelas histórias. Em crianças mais pequenas, todo o ritual do deitar poderá contemplar um momento de partilha, de cumplicidade entre pais e filhos, através da leitura de uma pequena história. Estes momentos, para além de fortalecerem laços afetivos, têm a capacidade de proporcionar à criança a transição de estados de maior excitabilidade para estados mais calmos, momentos mais tranquilizantes, relaxantes essenciais à fase do deitar. À medida que as crianças vão crescendo e adquirindo a aprendizagem da leitura poderão iniciar a leitura de uma parte da história, de pequenas frases ou parágrafos e os pais darão continuidade à mesma. Gradualmente as parcelas de leitura entre pais e filhos tendem a equilibrar-se, ou mesmo a ser superadas pelos filhos, já que o entusiasmo no sucesso da leitura fará com que queiram continuar a ler. Em crianças mais velhas e adolescentes a aquisição conjunta do livro e do respetivo audiolivro são uma boa escolha para implementar hábitos de leitura. A estratégia passa fazer-se uma leitura faseada entre audiolivro e livro. Numa primeira fase o jovem poderá ouvir 90% do audioliovro e ler os restantes 10% no respetivo livro e, mais tarde, a percentagem no audiolivro poderá passar para 80% e a do livro para 20%, e assim sucessivamente. Evitando-se a leitura daquela parte inicial dos textos, muitas vezes mais descritiva e menos apelativa, capta-se mais facilmente a atenção do jovem para o hábito da leitura, ao mesmo tempo que se promove a sua capacidade de atenção/concentração de uma forma multissensorial.

Tempo Livre

O tempo livre é um fator essencial ao desenvolvimento saudável de crianças e jovens. Ter tempo livre não significa ter atividades extracurriculares ou ter explicações. Por outras palavras, tempo livre não significa apenas ausência de aulas, mas sim ter liberdade para criar ou simplesmente para brincar. Deste modo, no calendário e na agenda da criança, todos os dias os dias deverão contemplar um período de tempo livre para serem criativos. O tempo livre também poderá significar ter tempo para estar livremente com a família, desse modo fortalecendo laços e partilhando histórias, vivências e costumes que só se transmitem pelos afetos de geração em geração, e que são muitas vezes menosprezados nas dinâmicas familiares dada a complexidade/quantidade das atividades diárias.

Jogos de Computador, PlayStation, Tablet

São muitas as crianças e jovens que nutrem um forte interesse por jogos de computador, jogos na PlayStation, no Tablet e noutros gadgets idênticos. Porém, também existem crianças que não demonstram a menor afinidade por esta tipologia de jogos. Se este é o seu caso, se tem filhos que não apresentam este tipo de interesse, não se preocupe pois não há a necessidade de incentivar este tipo de práticas. As brincadeiras com jogos de tabuleiro, os jogos com os colegas, o jogar à bola, as corridas, o andar de bicicleta, o brincar às apanhadas e outros jogos desprovidos de tecnologias são atividades amplamente promotoras de um desenvolvimento saudável e harmonioso. Por outro lado, se o seu filho gosta muito de tecnologias, de jogos virtuais, há a necessidade de se implementarem regras e limites à sua utilização através de horários, de tempo estipulado no dia ou na semana para a sua utilização.

 

Artigo publicado pelo Sei – Centro de Desenvolvimento e Aprendizagem.