Competências para ingressar no primeiro ano

A pré-primária acabou. A entrada no primeiro ciclo costuma ser um choque com a realidade. É o inicio de uma nova fase na vida das crianças e é fundamental que essa transição seja feita de forma segura. Para além da brincadeira que é normal nestas idades – e que deve, sempre, ser estimulada – agora pede-se responsabilidade e autonomia, palavras até então quase inexistentes no vocabulário infantil.

Aos 5 ou 6 anos as crianças apresentam diferentes níveis de desenvolvimento global. Algumas são mais maduras do que outras, mais robustas ao nível do desenvolvimento sócio-emocional e cognitivo e, assim, estas, em princípio, estarão mais bem preparadas para os novos desafios escolares.

Por exemplo, nesta fase deverão saber entender os números e o que eles representam, só assim conseguirão dar os primeiros passos na aprendizagem da matemática. Quanto mais cedo conseguirem relacionar, por exemplo, o número “5” com uma foto de cinco laranjas melhor. É o primeiro passo para conseguirem dominar conceitos básicos de aritmética como a adição e a subtração.

Precisam igualmente de saber comunicar, de se revezar, de aceitar e seguir regras de convivência. As primeiras competências de literacia – que incluem a leitura e a escrita – são adquiridas logo no pré-escolar onde aprendem a descodificar os sons produzidos por cada letra. O objetivo é que, antes mesmo de entrar para o primeiro ciclo, já conheçam o alfabeto e os recursos básicos das letras e palavras.

Espera-se que nesta fase os alunos sejam capazes de partilhar informações de várias maneiras, por exemplo, falar em voz alta e ouvir os outros, desenhar, escrever letras e palavras. É importante que já tenham também as competências necessárias para distinguir as letras maiúsculas das minúsculas, de combinar as letras com sons e de fazer rimar palavras.  

Não obstante apresentarem maior ou menor capacidade em determinadas áreas, há crianças que manifestamente não estão preparadas para as exigências do primeiro ciclo em termos emocionais e sociais, na medida em que ainda não desenvolveram competências para uma aprendizagem mais formal. São, regra geral, ainda muito dependentes dos pais e apenas focadas, por enquanto, nas atividades lúdicas. Sentem grandes dificuldades para, por exemplo, permanecerem sentadas durante longos períodos, concentradas nos conteúdos programáticos. 

As crianças desenvolvem competências a ritmos diferentes e o sucesso académico dependerá da confluência das capacidades cognitivas, sociais e emocionais.  Se necessário, procure a ajuda de um especialista que avalie as capacidades da criança, as áreas mais fortes e aquelas onde denota maiores dificuldades. Se o fizer, estará sem dúvida a contribuir para que esta nova fase de aprendizagem seja mais segura e bem sucedida. 

Ingressar no 1º ciclo sem ter as competências base, poderá potenciar sentimentos de incapacidade e inferioridade em relação aos outros alunos refletindo-se,  não raras vezes, ao nível da autoestima.   

Não se esqueça, as competências de também podem e devem ser estimuladas em casa! É fundamental que o desenvolvimento global da criança seja promovido através dessas competências consideradas chave para a idade adulta e para a entrada no ensino formal. 

Não faltam estratégias para ajudar as crianças a relacionar letras e sons, nem para desenvolver bons hábitos de leitura e a despertar o interesse para a matemática. Há livros didáticos divertidos e jogos de tabuleiro que podem representar um forte estimulo para a construção de novas competências. 


Eis alguns conhecimentos matemáticos que costumam ser apreendidos ainda antes da entrada no primeiro ciclo:  

1 – Contar quantos objetos estão num grupo (um por um) e comparar com outro grupo para descobrir qual é maior ou menor. 

2 – Reconhecer que adição significa colocar dois grupos juntos e que subtração significa tirar de um grupo.

3 – Adicionar e subtrair números de 1 a 10.

4 – Usar objetos para mostrar como dividir números menores ou iguais a 10, por exemplo, 8 borrachas = 2 grupos de 4 borrachas e 8 borrachas = um grupo de 2 e um grupo de 6.

5 – Encontrar o número de objetos para transformar qualquer grupo de 1 a 9 em um grupo de 10.

6 – Usar objetos ou desenhar figuras para representar e resolver problemas simples de adição e subtração.

Artigo publicado pelo Sei – Centro de Desenvolvimento e Aprendizagem