Disgrafia – O que é? O que fazer?

A disgrafia consiste numa dificuldade no ato motor da escrita. A criança com disgrafia pode apresentar dificuldades no desenho ou no grafismo da letra (“má letra”). Neste artigo exploramos o que é a disgrafia, alguns sinais de alerta comuns e o que fazer caso o seu filho apresente esses sinais de alerta.

O que é a disgrafia?

A disgrafia deriva das palavras “dis” (desvio) + “grafia” (escrita) e consiste numa dificuldade no ato motor da escrita.
A criança com disgrafia pode apresentar dificuldades no desenho ou no grafismo da letra (“má letra”).

As crianças desde cedo demonstram a necessidade de se expressar através da escrita. A escrita consiste numa destreza/capacidade motora que se vai desenvolvendo ao longo do percurso escolar da criança e que possui uma série de requisitos básicos necessários para o seu bom/correto funcionamento, nomeadamente:

– capacidades psicomotoras gerais (uma boa coordenação óculo-manual, um correto desenvolvimento da motricidade fina, um bom esquema corporal, espacial, boa lateralidade, um correto reconhecimento do espaço, formas e distancias e uma boa capacidade de inibição e controlo neuromuscular de forma a que a criança seja capaz de efetuar os movimentos necessários para a escrita das letras);
– coordenação funcional da mão (os movimentos de pressão e preensão e a independência mão-braço);
 hábitos neuromotores corretos e bem estabelecidos (a visão, a transcrição da esquerda para a direita, e o posicionamento correto do lápis).

A disgrafia pode apresentar alguns sinais de alerta típicos, aos quais devemos estar atentos.

Sinais indicadores

Diagnosticar a disgrafia, precocemente, não é fácil, uma vez que se trata de uma aprendizagem complexa envolvendo o controlo do ato motor da escrita e exigindo o seu próprio treino. Contudo, existem indicadores para auxiliarem nesse processo:
– traços exageradamente grossos ou finos e pequenos ou grandes;
– letras separadas, sobrepostas ou ilegíveis, com as ligações distorcidas;
– postura gráfica incorreta (dificuldade em utilizar corretamente o lápis/caneta com que escreve);
– caligrafia, inclinada.
– letra excessivamente pequena ou grande;
– grafismo trémulo;
– espaçamento irregular das letras ou das palavras;
– borrões;
– desorganização geral na folha

No entanto, importa informar que a confirmação do diagnóstico deve ser efetuada por profissionais especializados, uma vez que requer procedimentos específicos.

Intervenção

A reeducação do grafismo encontra-se relacionada com três fatores fundamentais: o desenvolvimento psicomotor, o desenvolvimento do grafismo em si e a especificidade do grafismo da criança.

Relativamente ao desenvolvimento psicomotor devem ser trabalhados aspectos relacionados com a postura, controlo corporal, dissociação de movimentos, representação mental do gesto necessário para o traço, perceção espácio-temporal, lateralização e coordenação visuomotora.

No que se refere aos aspetos relacionados com o grafismo, devem-se treinar habilidades envolvendo a escrita, como atividades que impliquem a utilização de lápis e papel, de forma a melhorar os movimentos e posição (gráfica), a pintura, o desenho e a modelagem. Devem-se também corrigir erros específicos do grafismo, como o tamanho, forma, inclinação das letras, a apresentação do texto, a inclinação da folha e a manutenção das margens/linhas.

 

Artigo publicado pelo Sei – Centro de Desenvolvimento e Aprendizagem.

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